“O que é a andropausa e como pode afetar-me?” é uma pergunta que muitos homens fazem a partir dos 40 ou 50 anos, quando começam a notar alterações no seu bem-estar, energia ou humor.
Ao contrário do que acontece na menopausa feminina, a diminuição gradual dos níveis de testosterona nos homens é um processo menos linear e, por isso, muitas vezes passa despercebido durante anos.
Compreender este fenómeno pode ser o primeiro passo para cuidar melhor da saúde masculina.
O que é a andropausa?
A andropausa, designada clinicamente como hipogonadismo de início tardio ou défice androgénico do envelhecimento masculino, refere-se ao declínio gradual dos níveis de testosterona que ocorre naturalmente à medida que os homens envelhecem.
De acordo com a Associação Europeia de Urologia, a produção desta hormona começa a diminuir, em média, a partir dos 30 anos, a uma taxa de cerca de 1% a 2% ao ano.
Importa sublinhar que nem todos os homens experienciam este processo da mesma forma. A intensidade e o impacto do declínio hormonal masculino variam de pessoa para pessoa, dependendo de fatores genéticos, do estilo de vida e de eventuais condições de saúde associadas.
Sinais e sintomas mais comuns
Os sinais associados à diminuição de testosterona podem ser subtis no início e confundir-se com o envelhecimento normal ou com outras condições de saúde. Entre os mais frequentemente descritos, encontram-se:
- Fadiga e cansaço persistente: Sensação de falta de energia que não melhora com o descanso.
- Alterações de humor: Irritabilidade, dificuldade de concentração ou episódios de tristeza sem causa aparente.
- Diminuição da libido: Redução do interesse sexual, que pode afetar também a qualidade das relações.
- Disfunção erétil: Dificuldades na obtenção ou manutenção de ereção, embora este sinal possa ter múltiplas causas.
- Perda de massa muscular e aumento da gordura corporal: Em particular na zona abdominal.
- Alterações no sono: Insónia ou sono mais fragmentado, por vezes acompanhados de suores noturnos.
- Osteoporose: Com o declínio hormonal, pode ocorrer uma redução da densidade óssea, o que aumenta o risco de fraturas.
Estes sintomas podem surgir de forma gradual e não são exclusivos da andropausa. Por isso, a presença de um ou mais destes sinais não deve ser interpretada como diagnóstico definitivo. Apenas um profissional de saúde pode avaliar cada situação de forma individualizada.
Como é feito o diagnóstico da andropausa?
O diagnóstico do défice androgénico não se baseia apenas nos sintomas. É necessária uma avaliação clínica completa, que inclui pelo menos duas medições dos níveis de testosterona no sangue, realizadas em dias diferentes, em jejum e de manhã (quando os valores são mais elevados).
O médico poderá também avaliar outros parâmetros hormonais e descartar causas secundárias para os sintomas.
A Associação Europeia de Urologia recomenda que o diagnóstico só seja estabelecido quando há uma combinação de sintomas clínicos com valores laboratoriais consistentemente baixos. Portanto, não basta um único resultado para tirar conclusões assertivas que apontem para andropausa.
O que fazer quando surgem estes sinais?
O primeiro passo é consultar o médico de família, urologista ou endocrinologista, para que possam ser recomendados ajustes no estilo de vida ou, caso se justifique, considerar abordagens terapêuticas específicas.
Independentemente do tratamento, existem hábitos que podem contribuir para o bem-estar geral e para a manutenção de níveis hormonais equilibrados:
- Atividade física regular: Em particular o exercício de resistência, que pode ajudar a preservar a massa muscular e a estimular a produção de testosterona.
- Alimentação equilibrada: Com atenção à ingestão de gorduras saudáveis, proteína de qualidade e micronutrientes como zinco e vitamina D, cujos níveis podem ser relevantes para a função hormonal.
- Gestão do stress: O cortisol elevado de forma crónica pode interferir com a produção de testosterona, pelo que estratégias de relaxamento podem ser benéficas.
- Qualidade do sono: O sono reparador é fundamental para a regulação hormonal. Dormir entre 7 a 9 horas por noite é uma das recomendações mais consistentes na literatura científica.
- Evitar o consumo excessivo de álcool e tabaco: Estes hábitos estão associados a um impacto negativo nos níveis hormonais e na saúde cardiovascular em geral.
Terapia hormonal de substituição: O que diz a ciência?
Em casos em que os sintomas são significativos e os níveis hormonais são consistentemente baixos, pode ser equacionada a terapia de substituição hormonal com testosterona.
Esta abordagem só deve ser considerada sob rigorosa supervisão médica, uma vez que implica uma avaliação cuidadosa de riscos e benefícios para cada doente, nomeadamente no que respeita à saúde cardiovascular e prostática.
Nem todos os homens com andropausa precisam de tratamento hormonal. Muitos casos podem ser geridos com ajustes no estilo de vida e acompanhamento regular. A decisão deve ser sempre individualizada e tomada em conjunto com o médico assistente.
Quando procurar ajuda profissional?
Se tem mais de 40 anos e reconhece em si uma combinação de vários sintomas descritos acima, o mais indicado é consultar o seu médico.
Tenha em consideração que um diagnóstico precoce permite uma abordagem mais eficaz e personalizada. Portanto, não normalize sintomas que afetam a sua qualidade de vida.
A saúde masculina merece a mesma atenção e cuidado que qualquer outra área da saúde. Falar abertamente com o seu médico sobre estas alterações é um sinal de responsabilidade e autocuidado, não de fraqueza.
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